Algumas coisas sobre o PDT

Definitivamente, estou precisando arrumar meus horários. Não tenho tempo de escrever muita coisa. Pra ter ideia, estou escrevendo isso direto no QuickPress, que é tipo um bloquinho de comentário que tem no Painel do WordPress. Fico decepcionado comigo mesmo até… Tanta coisa pra se falar: Líbia, PMDB, PDB, Eduardo Campos, Fux, Reforma na organização do Incra, etc. Já que não tenho alternativa, vou pincelar duas coisas que pensei sobre o PDT.

1 – O partido foi chutado, escanteado mesmo, do consórcio. O Lupi não tem nem o que dizer. O Paulinho, menos ainda (se queimou na imprensa, a Dilma não tava nem querendo ver o cara…) – já, agora, até a CUT entrou na briga pra sufocar o PDT. As lideranças perdem a liderança; postos no executivo ficaram escassos; não existe identidade partidária; o partido está morrendo. Daí que o Paulinho falou com o Kassab: junto com o PC do B, o PDT formaria um bloco de alcance mais à esquerda, mas da esquerda pragmática (se isso ainda for esquerda, é claro). Se a votação pra tabela do imposto seguir o modelo da votação do mínimo, o PDT, aí sim, precisaria tomar uma atitude: ou é isso ou é arriscar com o Kassab. Não tem como balançar de lá pra cá como o PC do B (e o PDT tamb´´em não é lá um PSB!).

2 – Em qualquer caso, o PDT sumiu: de partido de aluguel com algum peso passará a ser partideco de aluguel de nicho ideológico – e isso se a Força Sindical, que é a única fonte de capital político nas bases do núcleo partidário, não perder a disputa da contribuição compulsória pra CUT. Em tal situação, enterramos ainda mais o passado político brasileiro: o brizolismo foi-se a tempo; agora, seria a vez do que sobra da vertente do Cristovam Buarque se esvaziar em termos de conteúdo partidário.
E, por ironia ou não, quem diz que esse discurso precisa ser retomado é o Chalita: se tiver que sair do PSB, da base e possível carro-chefe do Kassab e do Campos para 2014, diz que vai fundar um partido com a bandeira da educação.


Sem tempo

Quero dizer que não morri. Apenas estive ocupado durante esses dias – fui visitar parentes, escrever um artigo (talvez eu comente ele por aqui), arrumar meu projeto de iniciação científica pra renovar minha bolsa…
Volto a postar quando der. Enquanto isso, usem os links ali da (área) direita.


Serra, Alckmin e Kassab: um quebra-cabeça difícil de montar

Saiu na Folha Online:

O governador paulista Geraldo Alckmin sonha com a candidatura de José Serra (PSDB) para a Prefeitura de São Paulo. Mas ele não quer.

Serra, por sua vez, não descarta concorrer a governador em 2014. Mas aí é seu afilhado político, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que não quer.

A incompatibilidade dos projetos dos três principais líderes políticos de São Paulo ameaça abalar a aliança governista do Estado.

Além da situação do Kassab já ser complicada, coordenar sua mudança de partido com a disputa interna do PSDB é dose. Dos três, no entanto, o mais confortável é, certamente, o Alckmin: se a articulação do Kassab falhar, ou o Serra for chutado pelo Aécio, ele fica livre  para continuar no governo de SP; se, por outro lado, tudo der certo pro Serra, o Kassab talvez não tenha o apoio do tucano para o governo (apesar da espécie de conflito entre os dois caciques paulistas do PSDB, a coordenação interna do partido não cederia – ainda mais com o Kassab na situação). Ainda é cedo para definir qualquer coisa, mas a disputa promete.


Crítica à Escola Austríaca

Uma coisa que certamente não é muito discutida por aí é a Escola Austríaca de economia. E não por falta de interlocutores: tem esse site do Instituto Mises que, por sinal, tem muitos contribuidores e muito material de primeira. Acontece que, oficialmente, o mainstream não considera essa corrente, chutando ela pra lateral do circuito acadêmico.

Fuçando por aí, encontrei um site com um compilado, uma espécie de dossiê à la Nassif, repleto de críticas a escola. Discute-se tanto a cientificidade do método austríaco quanto a origem (e o financiamento) da corrente analítica. É um debate interessante, principalmente para que se considere isso como uma fonte de crítica interna aos liberais (ou a parte destes que defendem a abordagem).

Afinal, se a esquerda tradicional precisou se renovar para continuar no páreo, por que a direita liberal não precisaria fazer o mesmo?

Veja in loco.


Os Maias abriram, mas o Kassab não cede – Parte final

Eu queria ter feito um texto ontem sobre a entrevista do Rodrigo Maia para o Valor. Fiquei sem tempo, e com preguiça, e acabei não fazendo. Fazer o quê?

Basicamente, Maia fala na entrevista o que todo mundo já sabia – o interessante, nesse caso, é que saiu da boca dele. Apesar do discurso conciliador, ele não escondeu o desagrado com a situação de conflito dentro do partido.

E hoje saiu no Estado uma matéria sobre o tal racha que, creio, é muito esclarecedora:

O DEM aceita abrir espaço na cúpula do partido para aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, caso ele decida manter sua filiação. Apesar da sinalização, que tem sido feita também para outros dirigentes do grupo minoritário da legenda que defende mudanças no comando do DEM, a direção do partido duvida que Kassab aceite um acordo e continua apostando na sua saída.Kassab deve deixar o DEM em março, após encontro nacional da sigla, rumo a PSB ou PMDB. Mesmo sem o prefeito, a ideia do comando do DEM é fazer gestos de conciliação com seus adversários. Na próxima segunda, o líder do Senado, José Agripino Maia (RN), candidato do grupo à Presidência do partido, almoçará em São Paulo com os ex-senadores Marco Maciel (PE) e Jorge Bornhausen (SC), representantes da oposição, com a mesma oferta de acordo e pacificação. Se houver consenso, os dois grupos apoiariam a eleição de Agripino para a sucessão do atual presidente Rodrigo Maia (RJ).

Dois pontos sobre isso:

  1. OK. Agora é quase certo. O Estadão disse que o “Kassab deve deixar o DEM” – reparem bem nisso. Apesar de existirem pelo menos umas três ou quatro lideranças estruturadoras no DEM (isso por baixo), o que faz o bloco do Kassab pender pra fora é, realmente, os planos políticos dele.
  2. Apesar disso, o DEM parece que vai conseguir se reorganizar com o que sobrar. Até quadros mais tradicionais – com maior aptidão governista, diga-se de passagem – como o Maciel e o Jorge Bornhausen se mostram receptivos com a ideia de deixar pra lá e aceitar o Agripino na presidência do partido.

Outra coisa que ganhou pouca repercussão na mídia mas que, com certeza, é muito esclarecedor, é um texto do César Maia dissecado pelo Correio Braziliense que resume muito bem a origem do conflito no partido (vide minha tese sobre isso neste post):

No seu ex-blog de ontem, sem meias palavras, disse que o racha na segundo partido oposicionista mais importante está sendo provocado pelo fato de que setores da legenda querem voltar ao velho leito da antiga Arena, de cuja costela mais liberal nasceu o ex-PFL: o aparelho de Estado brasileiro. Como? Migrando para o PMDB.

“Ocorreu um fato inesperado. Os segmentos do partido mais próximos à representação de importantes setores econômicos, como, por exemplo, setores financeiro e de obras públicas, foram surpreendidos quando estes setores aderiram ao governo do PT. Isso estimulou uma aproximação com a base partidária do governo”, resume Maia.

Sem mais.

***

Pretendo encerrar essa pauta. Pode até parecer que dei muita importância ao caso, considerando o tamanho do DEM e, ao mesmo tempo, as muitas outras coisas importantes que estão acontecendo por aí: a briga interna do PSDB, por exemplo.

Na verdade, considero essa situação como um caso particular de um processo muito maior no sistema partidário brasileiro: o predomínio, nos últimos anos, da política intrapartidária sobre a interpartidária; o governismo forte, principalmente no poder do executivo; e, também, um quadro ideológico confuso, no qual os dois maiores partidos competem pelo mesmo espaço, mediados (ou interpelados, como preferirem) pelo PMDB e nanicos, o que sufoca qualquer tentativa de organização da direita/centro. Daí a dupla importância do tema: queiram ou não, o DEM é um partido (programaticamente, que fique claro) liberal; e, mesmo assim, não deixa de sofrer dos mesmos males que os demais partidos com um mínimo de coerência ideológica.


E o Kassab vai articulando a base – Parte II

Deu no Estado de hoje:

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), vai entregar ao PC do B, aliado histórico do PT, a tarefa de organizar a Copa de 2014 na capital. No mesmo movimento, Kassab vai abrir espaço para acomodar mais duas legendas – PR e PDT -, ampliando não só sua base de governo como agregando possíveis aliados para as eleições de 2012 e 2014.

O movimento ocorre justamente enquanto Kassab estuda convites para trocar o DEM pelo PMDB ou pelo PSB, siglas aliadas do governo Dilma Rousseff.

PR, PDT, PC do B… É, pelo jeito o Kassab já entrou no clima do PMDB. Se filiar a ele ou não, agora, virou mero detalhe.


De novo o Drezner: as relações exteriores brasileiras no pós-Lula

Ultimamente o Drezner tem publicado muita coisa boa, isto é, mais do que o normal. Ou fui eu que, dada a minha insipiente experiência bloguística, estou reavaliando ele pra cima. Tanto faz.

Diz o Drezner, logo após uma nota do Financial Times sobre um nova postura do Brasil em relação ao câmbio chinês (com ênfase reduzida ao americano):

What’s going on?  A few things.  First, it’s probably true that this shift won’t amount to all that much in terms of affecting China’s policies.  Second, this is an effective way for Rousseff to distinguish herself from Lula, and she’s backing up the rhetorical shift with action items.  Third, Lula’s foreign policy on this point was always based more on old-fashioned third world solidarity than anything approximating Brazil’s national interest.  Not that Lula’s foreign policy was all that bad, mind you, but this seems more like a return to Brazil’s equilibrium set of interests. (grifos meus – mas, dessa vez, com razão).

Talvez não seja só na economia que o governo Dilma esteja tomando um rumo mais centrista.

 


Se você fosse o Kassab, o que faria? Parte I

A cada dia que passa o racha no DEM fica mais intenso: se a turma do Kassab não ganhar a presidência do partido (considerando o resultado da votação para líder na câmara, é pouco provável que consiga), fazem as malas e vão embora.

Daí que surgiram alguns cenários possíveis para o atual prefeito de São Paulo: (1) Ele negocia com os Maias e fica no partido, (2) ele vai para o PMDB e (3) ele funda um novo partido, trazendo junto com ele os aliados do DEM, parte do PSDB que ele ‘cooptou’ durante o período e, certamente, boa parte do clã Bornhausen.

Particularmente, acredito que o mais vantajoso pra alguém que vai pedir arrego correndo o risco de perder o mandato é que ele tome a segunda opção: ir pro PMDB.

  • Primeiro, porque PMDB divide o governo com o PT. Além de ser um partido com maior alcance, mais molecular, conta com boa estrutura e abarca um grande espaço ideológico.
  • Segundo, porque a oposição perdeu espaço ao mesmo tempo em que o governo está batendo nos mais radicais do PMDB (vide o manifesto dos éticos feitos por alguns deputados, principalmente do RS e SC. O PMDB, historicamente, não tem relações com o PT aqui no RS; inclusive lançou candidato próprio ao governo do estado, refugando o Tarso Genro – que, por sinal, é dos mais radicais do lado de lá). Ou seja: o espaço que está “faltando” no DEM começa a folgar no PMDB.
  • E, por último, porque o vácuo deixado pelo Quércia pode ser preenchido pelo Kassab: prefeito da capital, tem bom diálogo com os tucanos e, o melhor de tudo, indo pro partido do ex-governador… Bem, não preciso dizer mais nada.

A hipótese 3 também pode acontecer. Mas nesse cenário eu não sei o que aconteceria – embora seja pessimista. O intrépido Vinícius me perguntou no post anterior o que eu achava disso segundo a perspectiva liberal. Enrolando de novo: não sei. Mas pela estrutura de nanico que tal partido teria e pelo perfil do Kassab, acho que o partido iria ser apenas mais um inconsistente ideológico. Mas é aí que a coisa fica curiosa: se sobrar só os despojos dos Maias e dos ACM’s no DEM, é possível que este, vejam só!,  fique mais consistente. Mas isso é pura especulação.

Pra ficar no campo do palpável, é possível recorrer aos exemplos de migração partidária encontradas na literatura política. O primeiro nome que invariavelmente me ocorre é o do Roberto Freire: está certo que ele nunca foi para o executivo, mas conseguiu um bom espaço na câmara (presidiu ela, inclusive) e, hoje, está amparado pela máquina do PSDB-SP – o que não é pouco. Pra contrabalançar, temos o Garotinho, que, por diversas razões, mudou de partido duas vezes; mas este dispensa qualquer comentário. São exemplos desiguais, mas que ajudam a especular com mais propriedade.

Do que conheço da área de sistemas partidários, pouca coisa foi dita sobre os impactos da migração partidária na carreira dos políticos (não estou considerando aqueles estudos que só reforçam o senso comum, dizendo que “os resultados esperados superam as coibições judiciais esperadas”).

Vou citar apenas um artigo do “ufrguista” André Marenco (que poderia ser um bom futuro-orientador…). Ele retoma os estudos do Limongi, que defende que as votações na câmara são razoavelmente disciplinadas, isto é, o baixo-clero sabe brincar de “siga o líder”; retoma, também, os estudos que defendem que o sistema federativo brasileiro contribui para o mosaico do parlamento. Resumindo: quando analisados do ponto de vista da atividade legislativa, os partidos são coesos; quando analisado do ponto de vista das disputas intrapartidárias, os partidos são instáveis. E aí que o Prof. Marenco dá o pulo do gato: se o pessoal sabe jogar direitinho, por que é que de vez em quando uns querem mudar de time? Simples: você vai querer jogar no time que te der mais estímulo para jogar. Você muda de time por um motivo e joga por outro. Mas pra ser aceito no novo time, você precisa jogar na boa, certinho. Enfim, as duas coisas se relacionam na perspectiva do político (que quer as melhores condições de jogo) mas parecem caóticas na visão dos partidos (que querem fidelidade nas votações, sem poder, no entanto, controlar totalmente a fidelidade dos parlamentares). Diz o artigo:

Em circunstâncias nas quais as organizações partidárias são os principais fornecedores dos insumos necessários para a arregimentação eleitoral (eleitores fiéis, bandeiras políticas, pessoal de apoio, finanças), ou quando estes não podem ser obtidos junto a outras fontes, aspirantes à carreira parlamentar terão incentivos para permanecer fiéis às suas estruturas, sendo premiados por sua lealdade com a investidura eleitoral. O quanto as oportunidades de carreira são efetivamente controladas por organizações partidárias condiciona as estratégias de indivíduos que aspiram à profissionalização política.

Adaptando para a realidade do executivo, acredito que, se o fator organização partidária pesa na decisão, o centro gravitacional do PMDB tende a atrair o Kassab.

P. S.: Vou ver se arrumo tempo ainda hoje pra fazer um post sobre essa entrevista do Rodrigo Maia para o Valor, fechando, assim, a série “E agora, Kassab?”.

 

 


G-Zero: a agenda do Brasil para os próximos 30 anos

Estimulado pela excitante leitura deste artigo do Drezner (outra vez…), no qual ele propõe, basicamente, que na falta de um tipo de poder globalmente determinante, somado isso ao relativo declínio do poder de compelir dos americano e a relativa ascensão do poder de vetar dos emergentes… Enfim, com tudo isso contabilizado, nós teríamos o que ele chama (ainda que timidamente) de “o fim do poder”; seja lá o que isso for.

Certo, e onde vai o Brasil nisso? Quer dizer, além do poder de veto – bem mixo, por enquanto – que temos em alguns debates internacionais, o que mais temos para reforçar nossa posição mundial? O quê…?

Nesse mundo de incerteza, no qual ninguém manda em ninguém e todo mundo desobedece todo mundo (ou: vivemos no mundo do G-Zero), o cenário internacional impõe, para os países que querem ter algum tipo de relevância, que se pense numa estratégia de curto-médio prazo para alavancar o desenvolvimento. No caso brasileiro, não poderiam faltar nessa agenda (a) maior independência econômica e política em nível internacional, (b) desenvolvimento social e diminuição das desigualdades e (c) consolidação das instituições democráticas. Esses itens são transpartidários: dificilmente alguém iria se opor a eles – e, para fins didáticos, os extremos ideológicos não seriam considerados.

Assim, todo mundo, ou quase todo mundo, toparia esse projeto. Então, por que é que não saí um novo pacto social, como o famoso pacto populista, pra empurrar essa coisa? Bem, eu sou nenhum Weffort pra responder isso… Mas, para a nossa sorte, já tem gente pensando essas coisas. O Jornal do Brasil largou uma nota, hoje, sobre uma palestra que Marcos Troyjo, famoso  interlocutor entre interesses privados e públicos nas relações internacionais, fez em Columbia falando de alguns aspectos do que seria – chamemo-no assim – um projeto (Oh!). Diz a nota:

Para Troyjo, se os BRICs almejam maior influência nas relações internacionais, precisam mais do que  dimensões geográficas e estatísticas semelhantes — grande território, população, economia. Troyjo defendeu a ampliação de fóruns em que empresários, acadêmicos e governos formulem agendas comuns. Os BRICs têm de saber “o que querem para seus países, suas elites; o que querem do mundo e para o mundo. É preciso questionar se possuem projetos de poder, prosperidade e prestígio”, salientou.

E:

Troyjo defendeu a elaboração de um “business plan” para o Brasil.  ”A nova posição do País nas relações internacionais virá do “destino que dermos a recursos viabilizados pelas descobertas do pré-sal”. Troyjo mostrou como esses ganhos devem ser transferidos para o fomento da economia da criatividade e inovação. “Se nosso investimento em pesquisa & desenvolvimento subir para 2% do PIB nos próximos 10 anos e internacionalizarmos a marca ‘Brasil’, o  País será  uma das cinco nações mais dinâmicas, prósperas e influentes do século 21″, concluiu.

Ao que retrucamos que:

  1. Por integração, leia-se “pacto”. Precisamos colocar juntos todas as elites, da sindical à empresarial, para “formular agendas comuns”  (leia-se, aqui também, “negociar”, isto é, bater daqui pra ceder de lá).
  2. Não só a avaliação interna é necessária – a externa também o é.
  3. Nosso modelo econômico, baseado nos investimentos BNDES, foi barrado pela guerra cambial e pelo tamanho do estado. A palavra-mestra, agora, é contingenciamento.
  4. Precisamos investir em criatividade e inovação; facilitar a vida da iniciativa privada; investir o que hoje é dinheiro fácil (commodities) para pensar em um período de crescimento para mais de 30 anos.

Não que eu seja um tipo fatalista, dramático mesmo, ou algum desses profetas que, como diria Nelson Rodrigues, preveem o óbvio. Aliás, nem sei em que medida essa discussão se impõe como pauta: a começar pela precedência da reforma política no congresso ante a tributária e do Garibaldi na previdência, fico sem saber mesmo. Mas, amparado no fato de que tem mais gente discutindo isso por aí além de mim, parece que esse é um tema que deve ser levado a sério.

 


Nova política editorial

Observando o andamento desse blog em seus primeiros dias, reparei que ele andou tomando um certo caminho que, apesar de não me desagradar, não é o que eu esperava. Acabou que os modelos de blog que me inspiraram a começar este aqui – os de blogueiragem política em geral, NPTO, Hermenauta, Polítika etc., e etc. – tomaram conta da linha editorial. Não que isso seja ruim – repito -, mas esse já se tornou um lugar batido e saturado. Existem blogueiros melhores, bem melhores do que este aqui para realizar este tipo de empreitada. Em todo caso, me conformo em comentar, de vez em quando, alguma notícia, fazer algum adendo idissincrático, etc. De qualquer maneira, estes serão submetidos, de agora em diante, a um viés mais acadêmico (o que não significa, porém, rançoso ou chato).

Pretendo transformar esse blog em algum tipo de Monkey Cage tupiniquim intelectualmente castrado. Em outras palavras: vou, descaradamente, alterar a linha editorial para uma coisa mais pol-sci, sem, no entanto, embasbacar. É uma tarefa difícil, mas, espero, possível de ser cumprida.

Assim, vou começar a postar mais conteúdos relacionados à teoria política, principalmente a trabalhada na graduação (afinal, eu sou um graduando!). Posso, sem querer, obviamente, ter uma recaída. O que é moralmente aceitável, dado o número de leitores dispostos a me reprovar por isso.

Sendo assim, qualquer hora eu começo. Se for possível, ainda hoje, ou amanhã.


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